07 abril 2012

O LUGAR DA ARTE

Arte está em todo o lado. 
Na grande parte dos nossos percursos do quotidiano deparamo-nos com arte.
O que distingue a arte de um museu e a arte pública afinal?
E qual a mais valia de um não-lugar? E qual o seu papel?

Segundo Marc Augé etnólogo francês um não-lugar não é mais que um "espaço de anonimato" desprovido de caracterização pessoal  em locais de circulação pública e do quotidiano.
Encontramo-la em estações metropolitanas praças etc.
Muitas vezes contemplada mas desprezada para alguns um motivo de curiosidade para outros apenas a banalidade de um dia comum.
Enquanto a arte de um museu subjuga os visitantes às regras de comportamento social e ao protocolo do bom senso permanece como um objecto intangível a qualquer interacção limitando a experiência estética entre obra e observador a arte pública porém permite a liberdade de um papel educativo mais encorajador.
Podemos fazer parte da obra. Tocar. Intervir.
É aqui que a arte pública adquire uma importância fundamental que aproxima a arte dos seus observadores enquanto ferramenta educativa fomentando o diálogo entre as pessoas fazendo-as reflectir estimulando o seu pensamento.
Aqui a relação entre obra e observador implica a envolvência com o próprio contexto de lugar de um não-lugar.
Em boa verdade mediante a realidade de consumidores de cultura e arte que estatisticamente reflecte uma minoria de interessados ou curiosos que se deslocam aos museus prova que a arte estabelecida na rua temporária ou permanente vem assim assumir para tantos outros possivelmente o único contacto com arte de autores num espaço urbano.
"A fruição das obras de arte pública é feita no contexto do mundo real da cultura popular (...) em oposição os museus são vistos como reservatório de receptores e fruidores de um espectáculo." José G.Abreu em Margens e Confluências
Certamente que existem obras em museus que contrapõem excepcionalmente estes parâmetros onde é possível interagir com a peça quebrando esta limitação padronizada sendo que a sua análise deverá ser sempre contida em contextos concretos.
Mais que um produto social e cultural num espaço público é uma forma de viabilizar o transporte de informação de fácil acesso sem as barreiras museológicas relembrando de que não é só importante conhecer arte como criar uma identidade numa comunidade.
O seu uso educativo investe na facilidade de integração de novos conhecimentos em situações naturais por vezes familiares rompendo com formalismos institucionais e promovendo "aprendizagens contextualizadas".

Agora quando estiver na rede metropolitana de Lisboa ou nas várias praças que envolvem a capital ou mesmo numa pequena localidade onde a fonte de um mero largo remonta a uma outra parte da História vai decerto ter em conta o seu valor ou uma nova perspectiva.
Tanto que não seja vai pensar: ah! isto é arte pública.

(Imagens retiradas da Internet)

Fonte bibliográfica_José G.Abreu em Margens e Confluências

2 comentários:

  1. Dada a dormência a que estamos diariamente sujeitos, a interacção entre a "arte" e o espectador, inúmeras vezes só se faz por meios que representam uma espécie de "artificio benigno"..meios que levam a que a própria exposição estimule os sentidos de quem por ela passa e não a vê com olhos de ver, exemplo de uma delas foi a inesquecível "quick, quick, slow" "(...)explora o modo como os designers têm evocado a ideia e fluxo do tempo através de formas estáticas, do “look dinâmico” e das primeiras experiências modernistas com tipografia até às complexas sequências animadas concebidas para cinema e publicidade."
    Claro que nem todas as exposições podem usufruir do mesmo expediente, mas não obstante, há que explorar todas as formas de despertar. Bj L.

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